Caravelas

 

Em 1534, as terras do atual município de Caravelas faziam parte da Capitania de Porto Seguro.

Em 1581, missionários católicos fundaram, perto do Rio das Caravelas, a Igreja de Santo Antônio do Campo dos Coqueiros. Colonos juntaram-se à missão, abandonada posteriormente. Mas os colonos retornaram em 1610. Em 1700, o povoado foi elevado à categoria de vila, com o nome de Vila de Santo Antônio do Rio das Caravelas, por ato do Governador D. João de Lencastre e confirmado em alvará real no ano seguinte. O município correspondente envolvia os territórios de vários municípios atuais, incluindo o de Conceição da Barra, no Espírito Santo.

Em 1725, começou a ser construído o templo atual da Catedral de Santo Antônio, concluído 1750. Houve reformas posteriores.

Caravelas tornou-se uma freguesia eclesiástica por alvará de 18 de janeiro de 1755. Nesse ano iniciou-se a construção, pelos escravos, da Igreja de Santa Efigênia, concluída em 1767.

Caravelas uniu-se a outras vilas e cidades baianas na Guerra da Independência do Brasil. A antiga vila abrigou um destacamento de tropa, comandado pelo Tenente Coronel Manoel Ferreira de Paiva. Em 11 maio de 1823, houve um embate com a Escuna Marianna, uma embarcação mercante que transportava, como passageiro, o Tenente Coronel de Cavalaria Antonio José Gomes Loureiro. Ele servia na Paraíba, mas foi expulso, provavelmente por não aderir à causa da Independência. Foi para Salvador, onde as forças portuguesas estavam concentradas, mas tentava ir para Portugal. Conseguiu, através de um amigo, embarcar na tal Escuna, mas foi preso em Caravelas, quando buscavam mantimentos. No embate, cinco tripulantes da embarcação foram mortos.

Em 27 de março de 1832, a expedição do Beagle, com Charles Darwin, chegou a Abrolhos. O arquipélago faz parte do município de Caravelas.

Caravelas era sede de uma comarca. Seu porto tinha grande movimento e, desde 1853, fazia parte da Linha do Sul da Companhia de Navegação a Vapor Bahiana. Em 1855, tornou-se a Cidade de Caravelas, pela Lei 521, de 23 de abril.

Em 1874, estava em construção a linha telegráfica do Governo, para ligar o norte e o sul da Bahia, até Caravelas.

Em 1879, o engenheiro baiano Miguel de Teive e Argollo, recebeu a concessão para construir e explorar a Ferrovia Bahia-Minas, uma idealização sua. A Ferrovia foi solenemente inaugurada em 9 de novembro de 1882. O trecho inaugurado partia da Ponta da Areia, em Caravelas, e seguia até a Serra dos Aimorés, na divisa com Minas Gerais, numa extensão de 142 km. Essa estrada de ferro representou um grande impulso de desenvolvimento para o extremo sul da Bahia. A Estação foi fechada em 1966.

Em 1887, foram realizadas obras de balizamento do Porto de Caravelas.

Em 1938, o município foi dividido em dois distritos: Caravelas e Juerana. Nos anos 1950 eram seis distritos: Caravelas, Ibirapuã, Juerana, Lajedão, Ponta de Areia e Santo Antônio de Barcelona.

Em 1983, foi criado o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no arquipélago que faz parte do município de Caravelas. Em 1996, foi fundado o Instituto Baleia Jubarte, em Caravelas, buscando proteger o acasalamento dessas baleias no Oceano Atlântico Sul Ocidental.

Atualmente, Caravelas possui 22,5 mil habitantes (2015). O município é rico em belezas naturais, ecossistemas, praias e patrimônio histórico, incluindo igrejas do século 18 e casas do século 19, com azulejos de Macau.

Mais: Prefeitura de Caravelas

 

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Estação de Trem

 

Igreja

 

Embarcações no Rio Caravelas.

 

A observações das baleias jubarte é uma das grandes atrações da região.

 

Acima, atobás em Abrolhos. O Parque Nacional Marinho, o primeiro do tipo criado no Brasil, faz parte da área do município de Caravelas. O Arquipélago foi visitado por Charles Darwin em 1832.

Embaixo, uma bela fotografia publicada no blog de Ricardo Freire (viajenaviagem2.zip.net) do centro histórico de Caravelas.

 

Praia em Caravelas (foto J. Freitas).

 

Embaixo, barcos e maré baixa na praia da Barra de Caravelas.

 

A antiga Estação de trem da Ponta da Areia, em Caravelas, Fechada em 1966 e demolida posteriormente.

 

A Catedral de Santo Antônio, do século 18.

 

O Segundo Povoado Brasileiro com Europeus

Os registros desse povoado, uma feitoria, são conhecidos pelos textos de Américo Vespúcio, que teria acompanhado a expedição de Gonçalo Coelho, em 1503.

Nesse povoado, foram deixadas 12 peças de artilharia e 24 homens. Teria sido em Caravelas, segundo o consagrado historiador português Carlos Malheiro Dias (História da Colonização Portuguesa do Brasil, Capítulo X, 1923), observando que Vespúcio citou em sua Lettera:

Navegamos mais para diante [da Baía de Todos os Santos] duzentas e sessenta léguas, até chegarmos a um porto, onde determinamos fazer uma fortaleza, como com efeito fizemos [...] Está esta terra além da equinocial 18 graus, e 37 mais ao ocidente de Lisboa, segundo mostraram os nossos instrumentos...

A latitude de 18° coloca o referido porto próximo de Caravelas (atualmente na divisa entre os municípios de Nova Viçosa e Mucuri, entre os rios Pau Alto e Mucuruzinho). A longitude de Caravelas é de 31º a oeste de Lisboa e não 37º. Entretanto, erros maiores para a longitude eram comuns na época. Por outro lado, Caravelas fica a cerca de apenas 100 léguas da Baía de Todos os Santos.

Caravelas é o local mais provável da feitoria, pois coincide com a medição mais precisa da época, que era a determinação da latitude, no caso, 18°.

Varnhagen (Diario da Navegação de Pedro Lopes de Souza..., 1867), entretanto, preferiu localizar a referida feitoria em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Lá, no entanto, a latitude é de 23° e a longitude é de 34º a oeste de Lisboa. Para Varnhagen, teria havido um erro na interpretação da grafia, 23 sendo lido como 18.

Mas, na mesma linha de argumentação da grafia, 100 poderia ter sido lido com 260. Além disso, Vespúcio já conhecia o Rio de Janeiro e sua bela Baía, da expedição anterior, perto de Cabo Frio, e que teria sido um local bem melhor para fundar a feitoria. Mas Vespúcio não fez qualquer referência a ela nessa segunda expedição, que teria retornado a Portugal após a fundação da feitoria.

Estrategicamente, a fundação de um forte fazia todo o sentido para retaguarda de Porto Seguro, onde já havia vários portugueses, dois frades franciscanos e onde foi fundada a primeira igreja do Brasil, naquele mesmo ano de 1503, segundo Jaboatão. A colonização da costa africana, pelos portugueses, seguiu o mesmo princípio, avançando gradualmente, com o passar dos anos. Esse era o jeito do poderoso Império Lusitano, o primeiro império global, que por mais de três séculos manteve domínios em quatro continentes.

Cabe ainda especular se o povoado referido por Jaboatão, em Porto Seguro, seria ou não o mesmo daquele referido por Vespúcio na latitude de 18º. Seria essa, na verdade, a conclusão de Varnhagen em seu livro anterior Historia Geral do Brazil, de 1854.

Por Jonildo Bacelar

 

 

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